Analógico Digital

A história nunca deixa de acontecer, tudo é história. Com o passar do tempo, podem-se averiguar os fatos acumulados e determinar o que importa para entender um contexto específico. É um processo contínuo, no qual uma realidade se impõe sobre as outras. No caso do cinema e das demais expressões artísticas, esta sucessão de fatos forma uma linguagem, uma tradição. Impossível precisar o impacto da era digital nesta história, até porque ela começou a ser escrita agora.
Grande parte da produção cinematográfica continua a ser em película, embora quase todos os filmes sejam editados em computador. Os motivos são vários e passam pela qualidade de imagem superior do suporte analógico e pela flexibilidade dos programas de edição virtual. O choque de tecnologias ocorre também na comercialização. Se o custo reduzido na captação e na finalização em vídeo seduz realizadores, estes são obrigados a fazer cópias em 35mm para penetrar num mercado em que milhares de exibidores seguem fiéis ao padrão tradicional. Em outras palavras, o cinema de hoje é tanto analógico quanto digital. Vive-se um momento de transição.
O que esperar de um modelo que dispensa a película? Para o artista, mais frutífero do que especular sobre o futuro deve ser desfrutar o presente. Da mescla da linguagem que reinventou as outras (o cinema) com uma derivada da televisão e que também tem histórico de experimentação formal (o vídeo), é de se esperar que se consolide uma terceira - vinculada aos valores estéticos de ambas, mas renovada. Há muito a testar nesta fase de inter-relações. Ainda que a película não tenha cumprido seu ciclo, do vídeo digital pode surgir outro cinema.
Estas idéias motivaram a realização da mostra
Analógico Digital. Na mesma medida que mune o público de informações práticas, levanta as questões mal-resolvidas em período de incertezas. A programação conta com 20 longas-metragens de diferentes nacionalidades e sete curtas brasileiros. Mesmo tendo sido lançados em 35mm, todos foram produzidos em vídeo ou com o auxílio de computação gráfica. Os filmes em questão apontam esta contradição. Já se esboça uma história a partir dela, a do cinema digital. Esta se revela repleta de nuances, o que indica uma variedade de possibilidades para a própria arte.
Gustavo Galvão - Cineasta
Mostra de cinema
17 a 29 de abril no CCBB - Rio de Janeiro
09 a 27 de maio CCBB - São Paulo
29 de maio a 17 de junho no CCBB - Brasília
Sinopses dos filmes
Programação no Rio de Janeiro
Programação em São Paulo
Programação em Brasília
Patrocínio:
Banco do Brasil
Realização:
Centro Cultural Banco do Brasil
Concepção e curadoria:
Gustavo Galvão
Produção:
Lavoro Produções Artísticas
Produção executiva:
Lara Pozzobon
Assistentes de produção:
Guilherme Campos (Brasília)
Maria Gabriela Ramos (São Paulo)
Simone Evan (Rio de Janeiro)
Textos:
Gustavo Galvão
Revisão de textos:
Daniele Sousa e Silva
Assessoria de imprensa:
Liliam Hargreaves (Rio de Janeiro)
ProCultura/F&M (São Paulo)
Tátika Comunicação e Produção (Brasília)
Design e produção gráfica:
Anticorp Design
Agradecimentos: Jorge Ruffinelli